quinta-feira, 17 de julho de 2014

Europeu sub-19: O futuro que não se esconde. ( 1ª parte)

Europeu sub-19- O futuro que não se esconde.
 

Após a péssima campanha portuguesa no campeonato do Mundo, como é habitual, muitos experts, comentadores ou simples adeptos de futebol, vaticinaram a queda do futebol português.
Os argumentos são os mesmos do costume: a falta de qualidade ou a falta de soluções para o futuro da selecção nacional. As visões catastrofistas apontam até que Portugal não terá jogadores que possam assegurar que Portugal continue a ser presença assídua nas grandes competições. Afirmam que os clubes apostam cada vez mais em estrangeiros ( o que é verdade), e que não se trabalha a formação.
 
Aí está o ponto de discórdia. Posso dizer que a formação em Portugal está bem e recomenda-se.
 
 
 
 
Após um período mais negro do reinado de Scolari, em que se descurou claramente o futuro, de lá para cá, Portugal tem recuperado o fulgor. Fomos vice-campeões mundiais de sub-20, e asseguramos 2 participações seguidas no Mundial da mesma categoria.
Os sub-21 estão a fazer uma campanha imaculada de acesso ao Europeu, emergindo jovens valores que inclusive já batem à porta da selecção principal, casos de William Carvalho e Rafa.
As equipas B foram muito importantes por trazerem um espaço competitivo interessante para os jovens que saem da formação dos grandes clubes. Obviamente que há ainda arestas por limar, mas que não se duvide da qualidade do jogador português e do trabalho que vem sendo feito na formação.
O que nos leva para este Europeu de sub-19 e para esta geração.
 

Para aqueles que se preocupam com o futuro da selecção nacional, aconselho que observem esta geração. Chegam à fase final do Europeu após duas rondas de qualificação em que não só não conheceram o sabor da derrota, como inclusive contam por vitórias todos os jogos disputados.
Com 26 golos, é a selecção mais goleadora da fase de qualificação.
Pelo caminho, venceram ainda o Torneio Internacional em La Manga e o Torneio Internacional do Porto.
Esta geração desde que iniciou o seu percurso nos sub-19 nunca perdeu e chega ao Europeu como uma das grandes candidatas ao título.
Um Europeu em que grandes selecções como França, Espanha, Itália ou Inglaterra não se conseguiram sequer qualificar.
Portugal pode-se dizer que conseguiu um sorteio favorável ficando no grupo da selecção anfritiã a Hungria e tendo que enfrentar ainda Israel e Hungria.
As outras duas grandes candidatas serão a Sérvia, que defende o título, e a Alemanha que apresenta uma geração muito à forte, à semelhança da principal, provando o bom trabalho que tem vindo a ser feito pela federação alemã desde 2000.
Os alemães eliminaram uma das grandes candidatas, a Espanha, para chegar a este Europeu.
Contudo, alemães e sérvios estão no mesmo grupo e por isso uma dessas selecções ficará pelo caminho.
 
Mas debrucemo-nos sobre a nossa selecção. Quem são eles?
 

Esta geração já joga junta desde os sub-17, escalão onde ficou claramente aquém do que poderia conseguir em termos de resultados desportivos.
No entanto, o grupo foi-se formando e, hoje, apresentam um espírito de união e de conquista bastante fortes.
Uma selecção que tem uma base sólida de jogadores do F. C. Porto, que este ano já tiveram a oportunidade de integrar a equipa B e ter um espaço competitivo interessante, acima do seu escalão. Falamos de jogadores como Rafa, André Silva, Tomás Podstawski e Ivo Rodrigues. A eles acresce ainda o 5º elemento, Francisco Ramos, que foi um dos indiscutíveis da equipa de sub-19 do Porto.
 
A este núcleo, juntam-se 4 jogadores do Benfica, que conseguiram a proeza de se sagrarem vice campeões da Europa. Rebocho, João Nunes, Guzzo e Nuno Santos são os elementos dessa equipa chamados para este europeu.
O surpreendente campeão de juniores, o SC Braga, dá à selecção o guarda redes titular, a grande promessa Tiago Sá.
A estes elementos há que contar com a sempre forte formação do Sporting,q eu embora este ano sem grandes resultados, oferece à selecção 4 elementos. São eles: Mauro Riquicho, Domingos Duarte,  João Palhinha e Gelson Martins.

Esta geração tem também jogadores que já brilham noutros campeonatos. Do Manchester City chegam Jorge Intima e Rony Lopes. Rony Lopes é o rosto desta geração. Esta temporada estreou-se pela equipa principal do City, teve algum destaque e já foi emprestado ao Lille onde esta época terá a oportunidade de jogar as competições europeias.
Este grupo fecha com o defesa Jordan Machado, que vem do Montpellier, e a surpresa André Moreira. André Moreira  é guarda redes do modesto Ribeirão, mas jogou já na categoria de sénior durante toda a temporada no Campeonato Nacional de Seniores, o que lhe trouxe alguma estaleca para chegar preparado a esta competição.
 
A equipa.
 

Portugal desdobra-se no típico 4x3x3 da selecção nacional. Em alguns momentos do jogo, poderá tentar desviar para um 4x4x2, colocando Rony como segundo avançado.
A equipa tipo será: Tiago Sá, defesa: Rebocho, Jordan Machado, Domingos Duarte, Rafa; meio campo: Tomás Podstawsky, Francisco Ramos e Rony Lopes; ataque: Gelson Martins, Ivo Rodrigues,André Sila.

Durante a qualificação para o Europeu o seleccionador Hélio chegou a hesitar na posição 9. André Silva é o único ponta de lança de raiz convocado ,o que, em princípio, o coloca como titular indiscutível. Contudo, em alguns jogos Hélio experimentou jogar sem avançado fixo, colocando Ivo Rodrigues, extremo de raiz, como falso 9
 
Porém, essa é uma das dúvidas que parecem afastadas, uma vez que André Silva foi fundamental marcando 3 golos nos últimos dois jogos que valeram a qualificação para Portugal. Parece ser a melhor solução, até porque Ivo é um jogador de faixa, e com André Silva ganha-se maior presença na área adversária.
 

Outra das dúvidas prende-se com a colocação de Rony Lopes em campo. Rony é um 10 típico. Um criativo que gosta de jogar com alguma liberdade. Nesse sentido, é importante definir se ele joga no meio campo, assumidamente como médio ofensivo, ou se o seleccionador pretende dar maior cobertura defensiva, colocando Rony numa faixa, fazendo uma função semelhante à que fazia James Rodriguez no Porto, um 10 colocado numa faixa, procurando sempre o jogo interior.
Pela convocatória, Hélio deixa antever que Rony Lopes será mais opção para o meio campo. Isto depreende-se do facto de ter deixado de fora dos convocados, o  outro médio ofensivo que lhe poderia fazer sombra, neste caso o médio Graça que está ,inclusive, na pré temporada da equipa principal do Porto.
No meio campo espera-se que haja rotatividade entre Francisco Ramos do F. C. Porto e Raphael Guzzo do Benfica. Ambos são médios de transição que oferecem soluções semelhantes. Jogadores raçudos, com qualidade técnica, capacidade de transporte de jogo sem descurar o equilíbrio táctico da equipa.
 
Momentos do jogo
 
Organização defensiva: Este será um dos momentos que a selecção terá que melhorar com vista ao Europeu. Em momento de organização defensiva, nota-se que a equipa não está ainda muito rotinada. Principalmente quando tenta usar a arma do fora de jogo. O eixo central defensivo em certos momentos demonstra-se permeável.
 
Transição defensiva: No momento da perda da bola a selecção encontra o seu calcanhar de aquiles. A equipa gosta de jogar olhos nos olhos com todos os rivais, e gosta de dominar. Por vezes isso leva a que a equipa esteja mal posicionada no momento em que perde a bola. Acima de tudo, a equipa demonstra, por vezes, algumas desconcentrações que em jogos com adversários mais fortes podem pagar-se caro.
A equipa quando perde a bola, tenta sair logo na pressão ao portador da bola, mas nem sempre de forma organizada, sendo que é mais vulnerável quando exploram o espaço central, do que propriamente as zonas laterais onde Rebocho e Rafa costumam dar conta do recado.
Organização Ofensiva: A equipa gosta de dominar os adversários. Gosta de ter bola, mas não é propriamente uma equipa de posse. Gosta de fazer transições explorando os flancos onde tem jogadores de elevada capacidade técnica. O jogador que mais faz para que a equipa respire com bola e pense o jogo é o craque Rony Lopes, que assume o comando ofensivo da equipa.
A tendência contudo não é de fazer muitos passes, mas antes atacar a baliza adversária com grande agressividade ofensiva.
 
Os laterais tentam-se incorporar nos movimentos ofensivos, sendo Rafa um importante desiquilibrador desde o lado esquerdo, graças à sua enorme qualidade de passe, com cruzamentos que são quase sempre meio golo.
Quer Rony, quer o trinco Tomás, são elementos importantes para acalmar a equipa e fazê-la respirar um pouco.
Transição Ofensiva: O momento do jogo em que a equipa se sente mais confortável. Quando recupera a bola, a equipa gosta de se projectar o mais rápido possível no ataque. Rony tem a capacidade de lançar a bola para as diagonais de jogadores velozes como Ivo ou Gelson. Quando tal não é possível, tenta-se a ligação direta a André Silva para que ele possa segurar a bola, esperando que a equipa suba.

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