Europeu sub-19- O
futuro que não se esconde.
Após a péssima campanha portuguesa no campeonato do Mundo,
como é habitual, muitos experts, comentadores ou simples adeptos de futebol,
vaticinaram a queda do futebol português.
Os argumentos são os mesmos do costume: a falta de qualidade
ou a falta de soluções para o futuro da selecção nacional. As visões
catastrofistas apontam até que Portugal não terá jogadores que possam assegurar
que Portugal continue a ser presença assídua nas grandes competições. Afirmam
que os clubes apostam cada vez mais em estrangeiros ( o que é verdade), e que
não se trabalha a formação.
Aí está o ponto de
discórdia. Posso dizer que a formação em Portugal está bem e recomenda-se.
Após um período mais negro do reinado de Scolari, em que se
descurou claramente o futuro, de lá para cá, Portugal tem recuperado o fulgor.
Fomos vice-campeões mundiais de sub-20, e asseguramos 2 participações seguidas
no Mundial da mesma categoria.
Os sub-21 estão a fazer uma campanha imaculada de acesso ao
Europeu, emergindo jovens valores que inclusive já batem à porta da selecção
principal, casos de William Carvalho e Rafa.
As equipas B foram muito importantes por trazerem um espaço
competitivo interessante para os jovens que saem da formação dos grandes
clubes. Obviamente que há ainda arestas por limar, mas que não se duvide da
qualidade do jogador português e do trabalho que vem sendo feito na formação.
O que nos leva para
este Europeu de sub-19 e para esta geração.
Para aqueles que se preocupam com o futuro da selecção
nacional, aconselho que observem esta geração. Chegam à fase final do Europeu
após duas rondas de qualificação em que não só não conheceram o sabor da
derrota, como inclusive contam por vitórias todos os jogos disputados.
Com 26 golos, é a selecção mais goleadora da fase de
qualificação.
Pelo caminho, venceram ainda o Torneio Internacional em La
Manga e o Torneio Internacional do Porto.
Esta geração desde que iniciou o seu percurso nos sub-19
nunca perdeu e chega ao Europeu como uma das grandes candidatas ao título.
Um Europeu em que grandes selecções como França, Espanha,
Itália ou Inglaterra não se conseguiram sequer qualificar.
Portugal pode-se dizer que conseguiu um sorteio favorável
ficando no grupo da selecção anfritiã a Hungria e tendo que enfrentar ainda
Israel e Hungria.
As outras duas grandes candidatas serão a Sérvia, que
defende o título, e a Alemanha que apresenta uma geração muito à forte, à
semelhança da principal, provando o bom trabalho que tem vindo a ser feito pela
federação alemã desde 2000.
Os alemães eliminaram uma das grandes candidatas, a Espanha,
para chegar a este Europeu.
Contudo, alemães e sérvios estão no mesmo grupo e por isso
uma dessas selecções ficará pelo caminho.
Mas debrucemo-nos
sobre a nossa selecção. Quem são eles?
Esta geração já joga junta desde os sub-17, escalão onde
ficou claramente aquém do que poderia conseguir em termos de resultados
desportivos.
No entanto, o grupo foi-se formando e, hoje, apresentam um
espírito de união e de conquista bastante fortes.
Uma selecção que tem uma base sólida de jogadores do F. C.
Porto, que este ano já tiveram a oportunidade de integrar a equipa B e ter um
espaço competitivo interessante, acima do seu escalão. Falamos de jogadores
como Rafa, André Silva, Tomás Podstawski e Ivo Rodrigues. A eles acresce ainda
o 5º elemento, Francisco Ramos, que foi um dos indiscutíveis da equipa de
sub-19 do Porto.
A este núcleo, juntam-se 4 jogadores do Benfica, que
conseguiram a proeza de se sagrarem vice campeões da Europa. Rebocho, João
Nunes, Guzzo e Nuno Santos são os elementos dessa equipa chamados para este
europeu.
O surpreendente campeão de juniores, o SC Braga, dá à
selecção o guarda redes titular, a grande promessa Tiago Sá.
A estes elementos há que contar com a sempre forte formação
do Sporting,q eu embora este ano sem grandes resultados, oferece à selecção 4
elementos. São eles: Mauro Riquicho, Domingos Duarte, João Palhinha e Gelson Martins.
Esta geração tem também jogadores que já brilham noutros
campeonatos. Do Manchester City chegam Jorge Intima e Rony Lopes. Rony Lopes é
o rosto desta geração. Esta temporada estreou-se pela equipa principal do City,
teve algum destaque e já foi emprestado ao Lille onde esta época terá a
oportunidade de jogar as competições europeias.
Este grupo fecha com o defesa Jordan Machado, que vem do
Montpellier, e a surpresa André Moreira. André Moreira é guarda redes do modesto Ribeirão, mas jogou
já na categoria de sénior durante toda a temporada no Campeonato Nacional de
Seniores, o que lhe trouxe alguma estaleca para chegar preparado a esta
competição.
A equipa.
Portugal desdobra-se no típico 4x3x3 da selecção nacional.
Em alguns momentos do jogo, poderá tentar desviar para um 4x4x2, colocando Rony
como segundo avançado.
A equipa tipo será: Tiago Sá, defesa: Rebocho, Jordan
Machado, Domingos Duarte, Rafa; meio campo: Tomás Podstawsky, Francisco Ramos e
Rony Lopes; ataque: Gelson Martins, Ivo Rodrigues,André Sila.
Durante a qualificação para o Europeu o seleccionador Hélio
chegou a hesitar na posição 9. André Silva é o único ponta de lança de raiz
convocado ,o que, em princípio, o coloca como titular indiscutível. Contudo, em
alguns jogos Hélio experimentou jogar sem avançado fixo, colocando Ivo
Rodrigues, extremo de raiz, como falso 9
Porém, essa é uma das dúvidas que parecem afastadas, uma vez
que André Silva foi fundamental marcando 3 golos nos últimos dois jogos que
valeram a qualificação para Portugal. Parece ser a melhor solução, até porque
Ivo é um jogador de faixa, e com André Silva ganha-se maior presença na área
adversária.
Outra das dúvidas prende-se com a colocação de Rony Lopes em
campo. Rony é um 10 típico. Um criativo que gosta de jogar com alguma
liberdade. Nesse sentido, é importante definir se ele joga no meio campo,
assumidamente como médio ofensivo, ou se o seleccionador pretende dar maior
cobertura defensiva, colocando Rony numa faixa, fazendo uma função semelhante à
que fazia James Rodriguez no Porto, um 10 colocado numa faixa, procurando
sempre o jogo interior.
Pela convocatória, Hélio deixa antever que Rony Lopes será
mais opção para o meio campo. Isto depreende-se do facto de ter deixado de fora
dos convocados, o outro médio ofensivo
que lhe poderia fazer sombra, neste caso o médio Graça que está ,inclusive, na
pré temporada da equipa principal do Porto.
No meio campo espera-se que haja rotatividade entre
Francisco Ramos do F. C. Porto e Raphael Guzzo do Benfica. Ambos são médios de
transição que oferecem soluções semelhantes. Jogadores raçudos, com qualidade
técnica, capacidade de transporte de jogo sem descurar o equilíbrio táctico da
equipa.
Momentos do jogo
Organização defensiva:
Este será um dos momentos que a selecção terá que melhorar com vista ao
Europeu. Em momento de organização defensiva, nota-se que a equipa não está
ainda muito rotinada. Principalmente quando tenta usar a arma do fora de jogo.
O eixo central defensivo em certos momentos demonstra-se permeável.
Transição defensiva:
No momento da perda da bola a selecção encontra o seu calcanhar de aquiles. A
equipa gosta de jogar olhos nos olhos com todos os rivais, e gosta de dominar.
Por vezes isso leva a que a equipa esteja mal posicionada no momento em que
perde a bola. Acima de tudo, a equipa demonstra, por vezes, algumas
desconcentrações que em jogos com adversários mais fortes podem pagar-se caro.
A equipa quando perde a bola, tenta sair logo na pressão ao
portador da bola, mas nem sempre de forma organizada, sendo que é mais
vulnerável quando exploram o espaço central, do que propriamente as zonas
laterais onde Rebocho e Rafa costumam dar conta do recado.
Organização Ofensiva:
A equipa gosta de dominar os adversários. Gosta de ter bola, mas não é
propriamente uma equipa de posse. Gosta de fazer transições explorando os
flancos onde tem jogadores de elevada capacidade técnica. O jogador que mais
faz para que a equipa respire com bola e pense o jogo é o craque Rony Lopes,
que assume o comando ofensivo da equipa.
A tendência contudo não é de fazer muitos passes, mas antes
atacar a baliza adversária com grande agressividade ofensiva.
Os laterais tentam-se incorporar nos movimentos ofensivos,
sendo Rafa um importante desiquilibrador desde o lado esquerdo, graças à sua
enorme qualidade de passe, com cruzamentos que são quase sempre meio golo.
Quer Rony, quer o trinco Tomás, são elementos importantes
para acalmar a equipa e fazê-la respirar um pouco.
Transição Ofensiva:
O momento do jogo em que a equipa se sente mais confortável. Quando recupera a
bola, a equipa gosta de se projectar o mais rápido possível no ataque. Rony tem
a capacidade de lançar a bola para as diagonais de jogadores velozes como Ivo
ou Gelson. Quando tal não é possível, tenta-se a ligação direta a André Silva para que ele possa segurar a bola, esperando que a equipa suba.











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