domingo, 9 de novembro de 2014

O último dos proscritos numa selecção que ganha novas asas.( parte 2)



Outro destaque na convocatória foi a estreia do jovem Raphael Guerreiro. Entendo alguma surpresa. É porventura um desconhecido do grande público. Não será para quem acompanha o futebol jovem ou quem tenha visto os últimos jogos dos sub-21. Não tenho grandes dúvidas que daqui a uns bons anos quando Coentrão deixe de ser opção, Guerreiro será o lateral esquerdo da selecção.  É importante aguardar igualmente pela evolução que terá Rafa, o lateral esquerdo do Porto B, que é a meu ver um dos maiores talentos do futebol português, e que apenas necessita de uma aposta efectiva do seu clube.



Quanto a Raphael Guerreiro, comecei a acompanha-lo nos seus primeiros jogos pelos sub-20 e sub-21. O crescimento que registou tem sido notável. Começou intermitente, algo desenquadrado, sem confiança e hoje é um jogador totalmente diferente. Nos sub-21 ganhou o seu lugar a pulso ao relegar para o banco o capitão Luis Martins, jogador formado no Benfica e que tinha já experiência de 1ª Liga.
O luso descendente Raphael Guerreiro é um lateral agressivo, muito equilibrado quer a defender quer a atacar. Tecnicamente é muito interessante, apoia muito bem o ataque, tem qualidade de passe mas sem nunca descurar o momento defensivo. É titular do Lorient e já começa a ser visto como um valor seguro capaz de voos bem mais altos.
 
Perante a lesão de Antunes e Eliseu acho que F. Santos premiou e muito bem o jovem luso descendente que pode muito bem vir a ser o futuro lateral esquerdo da selecção. Sem Coentrão a selecção fica sem um lateral de nível internacional. Eliseu é um lateral para consumo interno no Benfica, que não tem a qualidade necessária em termos defensivos para grandes palcos. Continuo a vê-lo como um extremo a jogar a lateral. Serve para jogos em que seja necessário atacar e os laterais pouco tenham que fazer defensivamente. Em jogos grandes como aquele com a França, é o descalabro que se vê.

Nesse sentido não entendi o porquê de preterir Antunes que mesmo não sendo um lateral de topo, é claramente mais equilibrado e mais “defesa” que Eliseu.

 
De resto destaque para o regresso de Helder Postiga. Considero que o tempo de Postiga na selecção já se esgotou. Entendo a chamada mais pela escassez absoluta de opções. O próprio Eder já tem problemas em manter a titularidade no Braga… Fernando Santos está à procura de soluções para a posição. Existe um enorme fosso. Ou apela a jogadores em via descendente como Postiga ou Hugo Almeida, ou tem que ir muito lá abaixo…


 Paixão na Polónia, Orlando Sá, tudo jogadores que claramente não têm nível de selecção. Outra solução é apontar aos jovens. Procurar que jovens valores estão a despontar na posição. Mas até aí o fosso grande porque olha-se para as selecções jovens e percebemos que até os sub-21 têm optado por jogar sem ponta de lança de raiz. Para encontrar soluções terá que pensar-se em Gonçalo Paciência ( muito perturbado pelas lesões), Rui Fonte do Benfica B ( mesmo problema das lesões e poucas provas dadas), Tomané( ponta de lança titular do Guimarães mas que não tem espaço sequer nos sub-21 como titular) ou ainda o jovem André Silva da selecção de sub-19. André Silva foi vice campeão da europa, um dos melhores marcadores da prova, e tem condições físicas e técnicas que nos fazem ver nele um perfil de ponta de lança que o nosso futebol não tem. Bem trabalhado vejo-o um ponta de lança do estilo de Diego Costa actualmente no Chelsea. Um jogador capaz de segurar a defesa, de dar a possibilidade da equipa esticar o jogo, e muito forte no espaço ainda com a vantagem para o André Silva, de também poder cair nas faixas durante o jogo.

 
Ainda assim, é ainda muito jovem e tem um caminho a percorrer nos escalões de formação.
De resto, pouco a apontar. O meio campo da selecção neste momento tem excelentes opções, ao ponto de não terem oportunidades jogadores como o André André que está num momento tremendo.
Fica a certeza, após a chegada de F. Santos a selecção portuguesa ficou efectivamente mais forte, porque regressou a ideia de que a selecção é de todos nós e uma equipa em que devem estar os melhores.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O último dos proscritos numa selecção que ganha novas asas. ( 1ª parte)


 
A lista de Fernando Santos para os jogos com Arménia e Argentina, promoveu o regresso de Bosingwa, o único proscrito de P. bento que faltava convocar depois de Quaresma, Danny, Ricardo Carvalho e Tiago.
Bosingwa
 
Bosingwa acaba por ser o destaque mais mediático da lista, não tanto por aquilo que é hoje o seu rendimento, mas mais pela simbologia do seu regresso. Significa que acabou definitivamente qualquer resquício da passagem de P. Bento pela selecção. Em boa hora, no sentido em que era efectivamente necessário criar-se um ambiente diferente em torno da selecção. Chegava daquela crispação constante nas conferencias de imprensa, o tom sempre ácido de P. Bento, sempre na busca do conflito , nem que para isso tivesse que colocar os interesses da equipa de todos nós de lado.
Nunca se chegou a perceber o problema de P. Bento com Bosingwa. Tal como o próprio nunca teve uma explicação lógica para a embirração com Danny, Adrien ou Quaresma.
A chamada de Bosingwa vale por isso mais do que propriamente o rendimento desportivo.
Mas também não o deveremos descurar. Poder-se-ia achar que se trataria apenas de uma mensagem política de F. Santos, de que nesta selecção efectivamente não há portas fechada para ninguém. Contudo, creio que esta chamada obedece também a uma necessidade desportiva detectada pelo seleccionador nacional.
 
 
Ausência de J. Pereira
 
João Pereira poderia não ser um dos jogadores mais do agrado da crítica, mas quer queiramos quer não, era o melhor que Portugal tinha e tem para oferecer na posição de lateral direito. Pela sua garra, pela sua entrega ao jogo, capacidade de dar profundidade ao jogo ofensivo, e acima de tudo a sua experiência.
É efectivamente estranho o ostracismo a que foi vetado em Valência por parte de Nuno Espírito Santo, mais a mais quando o Valência até contratou por empréstimo o jovem e talentoso João Cancelo ao Benfica, que até não tem sido primeira opção.
Os adeptos não esqueceram J. Pereira e nos últimos jogos têm levado faixas com mensagens de apoio para o internacional português.
 
Talvez P. Bento continuasse a chamar J. Pereira mesmo sem jogar, tal como chamava Ricardo Costa mesmo estando ele a actuar no Dubai… F. Santos contudo deixou claro ( e bem, a meu ver) que as convocatórias da selecção não são um exercício de gratidão nem um grupo de amigos. Daí que Miguel Veloso ou Raul Meireles tenham também deixado de ser opções, porque pura e simplesmente neste momento têm uma série de médios em melhores condições à sua frente.
F. Santos não poderia assim, em nome da coerência, chamar J. Pereira por muito que achasse que é ainda o melhor lateral direito português, porque o facto é que não joga no seu clube.
Na primeira convocatória abriu as portas a Ivo Pinto, jogador desconhecido do grande público que tem feito a sua carreira nos últimos anos no futebol croata, e deu a titularidade incontestada a Cedric.

Não inventou. Efetivamente, deixou de lado a possibilidade André Almeida, porque considera desadequado estar a fazer adaptações na equipa nacional. André Almeida terá que se definir como jogador. É médio? Lateral direito? Lateral esquerdo? A polivalência pode ser um trunfo valioso para se fazer parte de um plantel e ser tido em conta pelo treinador. Contudo, a longo prazo, pode ser prejudicial na afirmação do jogador. Porque de tanto rodar de um lado para outro, acaba por jogar em várias posições mas não se destacar em nenhuma. Lembro-me sempre de casos de jogadores como Marco Caneira que de tão polivalentes acabaram por passar ao lado de uma carreira melhor se se tivessem especializado numa posição.
 
Cedric
 
Cedric tem várias limitações. A nível táctico sobretudo. Nada que  não possa ser trabalhado. Contudo Cedric como lateral é um jogador que muitas deficiência no capítulo táctico. Invariavelmente falha nas coberturas, ainda tem dificuldades em termos de posicionamento, e peca por excesso de voluntarismo que o tornam presa fácil no 1x1 com jogadores tecnicamente dotados e experientes.
No capítulo do passe sinto que tem tido francas melhorias, principalmente a cruzar. Ainda assim creio que curto para o que se exige de um lateral direito da selecção portuguesa. Contudo por vezes quando vejo Cedric jogar, recordo-me de um João Pereira mais jovem… Vejo a abnegação, vejo a entrega ao jogo, vejo o excesso de voluntarismo e vejo dificuldades em saber como se posicionar e em tomar as melhores decisões relativamente em quando deve dar profundidade ou quando se deve resguardar.
 
Cedric pode seguir a via do ex-lateral do Sporting. Nunca será um portento, mas pode tornar-se um jogador mais fiável. Mas seria isso ainda possível? Principalmente agora que já sente a concorrência do mais experiente Miguel Lopes?
F. Santos não se cansa de repetir que o objectivo é ganhar. Ganhar hoje. Não é esperar pelo futuro, porque o futuro faz-se é com vitórias no presente. Sem presente não há futuro que nos valha. Daí que entendeu ser necessário recorrer à experiência de Bosingwa. Não tenho acompanhado os jogos de Bosingwa, não sei em que condições se encontrará.  Sei que Bosingwa nos bons momentos da sua carreira era um lateral de eleição, só não foi mais porque psicologicamente não tinha as mesmas condições técnicas e físicas que exibia no campo.
Depois do feliz regresso de Ricardo Carvalho, espera-se que também a experiência de Bosingwa possa ser um contributo importante para a selecção.