A lista de Fernando Santos para os jogos com Arménia e
Argentina, promoveu o regresso de Bosingwa, o único proscrito de P. bento que
faltava convocar depois de Quaresma, Danny, Ricardo Carvalho e Tiago.
Bosingwa
Bosingwa acaba por ser o destaque mais mediático da lista, não
tanto por aquilo que é hoje o seu rendimento, mas mais pela simbologia do seu
regresso. Significa que acabou definitivamente qualquer resquício da passagem
de P. Bento pela selecção. Em boa hora, no sentido em que era efectivamente necessário
criar-se um ambiente diferente em torno da selecção. Chegava daquela crispação
constante nas conferencias de imprensa, o tom sempre ácido de P. Bento, sempre
na busca do conflito , nem que para isso tivesse que colocar os interesses da
equipa de todos nós de lado.
Nunca se chegou a perceber o problema de P. Bento com
Bosingwa. Tal como o próprio nunca teve uma explicação lógica para a embirração
com Danny, Adrien ou Quaresma.
A chamada de Bosingwa vale por isso mais do que propriamente
o rendimento desportivo.
Mas também não o deveremos descurar. Poder-se-ia achar que
se trataria apenas de uma mensagem política de F. Santos, de que nesta selecção
efectivamente não há portas fechada para ninguém. Contudo, creio que esta
chamada obedece também a uma necessidade desportiva detectada pelo seleccionador
nacional.
Ausência de J. Pereira
João Pereira poderia não ser um dos jogadores mais do agrado
da crítica, mas quer queiramos quer não, era o melhor que Portugal tinha e tem
para oferecer na posição de lateral direito. Pela sua garra, pela sua entrega
ao jogo, capacidade de dar profundidade ao jogo ofensivo, e acima de tudo a sua
experiência.
É efectivamente estranho o ostracismo a que foi vetado em
Valência por parte de Nuno Espírito Santo, mais a mais quando o Valência até
contratou por empréstimo o jovem e talentoso João Cancelo ao Benfica, que até não
tem sido primeira opção.
Os adeptos não esqueceram J. Pereira e nos últimos jogos têm
levado faixas com mensagens de apoio para o internacional português.
Talvez P. Bento continuasse a chamar J. Pereira mesmo sem
jogar, tal como chamava Ricardo Costa mesmo estando ele a actuar no Dubai… F. Santos
contudo deixou claro ( e bem, a meu ver) que as convocatórias da selecção não
são um exercício de gratidão nem um grupo de amigos. Daí que Miguel Veloso ou
Raul Meireles tenham também deixado de ser opções, porque pura e simplesmente
neste momento têm uma série de médios em melhores condições à sua frente.
F. Santos não poderia assim, em nome da coerência, chamar J.
Pereira por muito que achasse que é ainda o melhor lateral direito português,
porque o facto é que não joga no seu clube.
Na primeira convocatória abriu as portas a Ivo Pinto,
jogador desconhecido do grande público que tem feito a sua carreira nos últimos
anos no futebol croata, e deu a titularidade incontestada a Cedric.
Não inventou. Efetivamente, deixou de lado a possibilidade André Almeida, porque considera desadequado estar a fazer adaptações na equipa nacional. André Almeida terá que se definir como jogador. É médio? Lateral direito? Lateral esquerdo? A polivalência pode ser um trunfo valioso para se fazer parte de um plantel e ser tido em conta pelo treinador. Contudo, a longo prazo, pode ser prejudicial na afirmação do jogador. Porque de tanto rodar de um lado para outro, acaba por jogar em várias posições mas não se destacar em nenhuma. Lembro-me sempre de casos de jogadores como Marco Caneira que de tão polivalentes acabaram por passar ao lado de uma carreira melhor se se tivessem especializado numa posição.
Cedric
Cedric tem várias limitações. A nível táctico sobretudo.
Nada que não possa ser trabalhado.
Contudo Cedric como lateral é um jogador que muitas deficiência no capítulo
táctico. Invariavelmente falha nas coberturas, ainda tem dificuldades em termos
de posicionamento, e peca por excesso de voluntarismo que o tornam presa fácil
no 1x1 com jogadores tecnicamente dotados e experientes.
No capítulo do passe sinto que tem tido francas melhorias,
principalmente a cruzar. Ainda assim creio que curto para o que se exige de um
lateral direito da selecção portuguesa. Contudo por vezes quando vejo Cedric
jogar, recordo-me de um João Pereira mais jovem… Vejo a abnegação, vejo a
entrega ao jogo, vejo o excesso de voluntarismo e vejo dificuldades em saber
como se posicionar e em tomar as melhores decisões relativamente em quando deve
dar profundidade ou quando se deve resguardar.
Cedric pode seguir a via do ex-lateral do Sporting. Nunca
será um portento, mas pode tornar-se um jogador mais fiável. Mas seria isso
ainda possível? Principalmente agora que já sente a concorrência do mais
experiente Miguel Lopes?
F. Santos não se cansa de repetir que o objectivo é ganhar.
Ganhar hoje. Não é esperar pelo futuro, porque o futuro faz-se é com vitórias
no presente. Sem presente não há futuro que nos valha. Daí que entendeu ser
necessário recorrer à experiência de Bosingwa. Não tenho acompanhado os jogos
de Bosingwa, não sei em que condições se encontrará. Sei que Bosingwa nos bons momentos da sua
carreira era um lateral de eleição, só não foi mais porque psicologicamente não
tinha as mesmas condições técnicas e físicas que exibia no campo.
Depois do feliz regresso de Ricardo Carvalho, espera-se que também a experiência de Bosingwa possa ser um contributo importante para a selecção.







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