sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O último dos proscritos numa selecção que ganha novas asas. ( 1ª parte)


 
A lista de Fernando Santos para os jogos com Arménia e Argentina, promoveu o regresso de Bosingwa, o único proscrito de P. bento que faltava convocar depois de Quaresma, Danny, Ricardo Carvalho e Tiago.
Bosingwa
 
Bosingwa acaba por ser o destaque mais mediático da lista, não tanto por aquilo que é hoje o seu rendimento, mas mais pela simbologia do seu regresso. Significa que acabou definitivamente qualquer resquício da passagem de P. Bento pela selecção. Em boa hora, no sentido em que era efectivamente necessário criar-se um ambiente diferente em torno da selecção. Chegava daquela crispação constante nas conferencias de imprensa, o tom sempre ácido de P. Bento, sempre na busca do conflito , nem que para isso tivesse que colocar os interesses da equipa de todos nós de lado.
Nunca se chegou a perceber o problema de P. Bento com Bosingwa. Tal como o próprio nunca teve uma explicação lógica para a embirração com Danny, Adrien ou Quaresma.
A chamada de Bosingwa vale por isso mais do que propriamente o rendimento desportivo.
Mas também não o deveremos descurar. Poder-se-ia achar que se trataria apenas de uma mensagem política de F. Santos, de que nesta selecção efectivamente não há portas fechada para ninguém. Contudo, creio que esta chamada obedece também a uma necessidade desportiva detectada pelo seleccionador nacional.
 
 
Ausência de J. Pereira
 
João Pereira poderia não ser um dos jogadores mais do agrado da crítica, mas quer queiramos quer não, era o melhor que Portugal tinha e tem para oferecer na posição de lateral direito. Pela sua garra, pela sua entrega ao jogo, capacidade de dar profundidade ao jogo ofensivo, e acima de tudo a sua experiência.
É efectivamente estranho o ostracismo a que foi vetado em Valência por parte de Nuno Espírito Santo, mais a mais quando o Valência até contratou por empréstimo o jovem e talentoso João Cancelo ao Benfica, que até não tem sido primeira opção.
Os adeptos não esqueceram J. Pereira e nos últimos jogos têm levado faixas com mensagens de apoio para o internacional português.
 
Talvez P. Bento continuasse a chamar J. Pereira mesmo sem jogar, tal como chamava Ricardo Costa mesmo estando ele a actuar no Dubai… F. Santos contudo deixou claro ( e bem, a meu ver) que as convocatórias da selecção não são um exercício de gratidão nem um grupo de amigos. Daí que Miguel Veloso ou Raul Meireles tenham também deixado de ser opções, porque pura e simplesmente neste momento têm uma série de médios em melhores condições à sua frente.
F. Santos não poderia assim, em nome da coerência, chamar J. Pereira por muito que achasse que é ainda o melhor lateral direito português, porque o facto é que não joga no seu clube.
Na primeira convocatória abriu as portas a Ivo Pinto, jogador desconhecido do grande público que tem feito a sua carreira nos últimos anos no futebol croata, e deu a titularidade incontestada a Cedric.

Não inventou. Efetivamente, deixou de lado a possibilidade André Almeida, porque considera desadequado estar a fazer adaptações na equipa nacional. André Almeida terá que se definir como jogador. É médio? Lateral direito? Lateral esquerdo? A polivalência pode ser um trunfo valioso para se fazer parte de um plantel e ser tido em conta pelo treinador. Contudo, a longo prazo, pode ser prejudicial na afirmação do jogador. Porque de tanto rodar de um lado para outro, acaba por jogar em várias posições mas não se destacar em nenhuma. Lembro-me sempre de casos de jogadores como Marco Caneira que de tão polivalentes acabaram por passar ao lado de uma carreira melhor se se tivessem especializado numa posição.
 
Cedric
 
Cedric tem várias limitações. A nível táctico sobretudo. Nada que  não possa ser trabalhado. Contudo Cedric como lateral é um jogador que muitas deficiência no capítulo táctico. Invariavelmente falha nas coberturas, ainda tem dificuldades em termos de posicionamento, e peca por excesso de voluntarismo que o tornam presa fácil no 1x1 com jogadores tecnicamente dotados e experientes.
No capítulo do passe sinto que tem tido francas melhorias, principalmente a cruzar. Ainda assim creio que curto para o que se exige de um lateral direito da selecção portuguesa. Contudo por vezes quando vejo Cedric jogar, recordo-me de um João Pereira mais jovem… Vejo a abnegação, vejo a entrega ao jogo, vejo o excesso de voluntarismo e vejo dificuldades em saber como se posicionar e em tomar as melhores decisões relativamente em quando deve dar profundidade ou quando se deve resguardar.
 
Cedric pode seguir a via do ex-lateral do Sporting. Nunca será um portento, mas pode tornar-se um jogador mais fiável. Mas seria isso ainda possível? Principalmente agora que já sente a concorrência do mais experiente Miguel Lopes?
F. Santos não se cansa de repetir que o objectivo é ganhar. Ganhar hoje. Não é esperar pelo futuro, porque o futuro faz-se é com vitórias no presente. Sem presente não há futuro que nos valha. Daí que entendeu ser necessário recorrer à experiência de Bosingwa. Não tenho acompanhado os jogos de Bosingwa, não sei em que condições se encontrará.  Sei que Bosingwa nos bons momentos da sua carreira era um lateral de eleição, só não foi mais porque psicologicamente não tinha as mesmas condições técnicas e físicas que exibia no campo.
Depois do feliz regresso de Ricardo Carvalho, espera-se que também a experiência de Bosingwa possa ser um contributo importante para a selecção.
 

 

 

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