domingo, 9 de novembro de 2014

O último dos proscritos numa selecção que ganha novas asas.( parte 2)



Outro destaque na convocatória foi a estreia do jovem Raphael Guerreiro. Entendo alguma surpresa. É porventura um desconhecido do grande público. Não será para quem acompanha o futebol jovem ou quem tenha visto os últimos jogos dos sub-21. Não tenho grandes dúvidas que daqui a uns bons anos quando Coentrão deixe de ser opção, Guerreiro será o lateral esquerdo da selecção.  É importante aguardar igualmente pela evolução que terá Rafa, o lateral esquerdo do Porto B, que é a meu ver um dos maiores talentos do futebol português, e que apenas necessita de uma aposta efectiva do seu clube.



Quanto a Raphael Guerreiro, comecei a acompanha-lo nos seus primeiros jogos pelos sub-20 e sub-21. O crescimento que registou tem sido notável. Começou intermitente, algo desenquadrado, sem confiança e hoje é um jogador totalmente diferente. Nos sub-21 ganhou o seu lugar a pulso ao relegar para o banco o capitão Luis Martins, jogador formado no Benfica e que tinha já experiência de 1ª Liga.
O luso descendente Raphael Guerreiro é um lateral agressivo, muito equilibrado quer a defender quer a atacar. Tecnicamente é muito interessante, apoia muito bem o ataque, tem qualidade de passe mas sem nunca descurar o momento defensivo. É titular do Lorient e já começa a ser visto como um valor seguro capaz de voos bem mais altos.
 
Perante a lesão de Antunes e Eliseu acho que F. Santos premiou e muito bem o jovem luso descendente que pode muito bem vir a ser o futuro lateral esquerdo da selecção. Sem Coentrão a selecção fica sem um lateral de nível internacional. Eliseu é um lateral para consumo interno no Benfica, que não tem a qualidade necessária em termos defensivos para grandes palcos. Continuo a vê-lo como um extremo a jogar a lateral. Serve para jogos em que seja necessário atacar e os laterais pouco tenham que fazer defensivamente. Em jogos grandes como aquele com a França, é o descalabro que se vê.

Nesse sentido não entendi o porquê de preterir Antunes que mesmo não sendo um lateral de topo, é claramente mais equilibrado e mais “defesa” que Eliseu.

 
De resto destaque para o regresso de Helder Postiga. Considero que o tempo de Postiga na selecção já se esgotou. Entendo a chamada mais pela escassez absoluta de opções. O próprio Eder já tem problemas em manter a titularidade no Braga… Fernando Santos está à procura de soluções para a posição. Existe um enorme fosso. Ou apela a jogadores em via descendente como Postiga ou Hugo Almeida, ou tem que ir muito lá abaixo…


 Paixão na Polónia, Orlando Sá, tudo jogadores que claramente não têm nível de selecção. Outra solução é apontar aos jovens. Procurar que jovens valores estão a despontar na posição. Mas até aí o fosso grande porque olha-se para as selecções jovens e percebemos que até os sub-21 têm optado por jogar sem ponta de lança de raiz. Para encontrar soluções terá que pensar-se em Gonçalo Paciência ( muito perturbado pelas lesões), Rui Fonte do Benfica B ( mesmo problema das lesões e poucas provas dadas), Tomané( ponta de lança titular do Guimarães mas que não tem espaço sequer nos sub-21 como titular) ou ainda o jovem André Silva da selecção de sub-19. André Silva foi vice campeão da europa, um dos melhores marcadores da prova, e tem condições físicas e técnicas que nos fazem ver nele um perfil de ponta de lança que o nosso futebol não tem. Bem trabalhado vejo-o um ponta de lança do estilo de Diego Costa actualmente no Chelsea. Um jogador capaz de segurar a defesa, de dar a possibilidade da equipa esticar o jogo, e muito forte no espaço ainda com a vantagem para o André Silva, de também poder cair nas faixas durante o jogo.

 
Ainda assim, é ainda muito jovem e tem um caminho a percorrer nos escalões de formação.
De resto, pouco a apontar. O meio campo da selecção neste momento tem excelentes opções, ao ponto de não terem oportunidades jogadores como o André André que está num momento tremendo.
Fica a certeza, após a chegada de F. Santos a selecção portuguesa ficou efectivamente mais forte, porque regressou a ideia de que a selecção é de todos nós e uma equipa em que devem estar os melhores.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O último dos proscritos numa selecção que ganha novas asas. ( 1ª parte)


 
A lista de Fernando Santos para os jogos com Arménia e Argentina, promoveu o regresso de Bosingwa, o único proscrito de P. bento que faltava convocar depois de Quaresma, Danny, Ricardo Carvalho e Tiago.
Bosingwa
 
Bosingwa acaba por ser o destaque mais mediático da lista, não tanto por aquilo que é hoje o seu rendimento, mas mais pela simbologia do seu regresso. Significa que acabou definitivamente qualquer resquício da passagem de P. Bento pela selecção. Em boa hora, no sentido em que era efectivamente necessário criar-se um ambiente diferente em torno da selecção. Chegava daquela crispação constante nas conferencias de imprensa, o tom sempre ácido de P. Bento, sempre na busca do conflito , nem que para isso tivesse que colocar os interesses da equipa de todos nós de lado.
Nunca se chegou a perceber o problema de P. Bento com Bosingwa. Tal como o próprio nunca teve uma explicação lógica para a embirração com Danny, Adrien ou Quaresma.
A chamada de Bosingwa vale por isso mais do que propriamente o rendimento desportivo.
Mas também não o deveremos descurar. Poder-se-ia achar que se trataria apenas de uma mensagem política de F. Santos, de que nesta selecção efectivamente não há portas fechada para ninguém. Contudo, creio que esta chamada obedece também a uma necessidade desportiva detectada pelo seleccionador nacional.
 
 
Ausência de J. Pereira
 
João Pereira poderia não ser um dos jogadores mais do agrado da crítica, mas quer queiramos quer não, era o melhor que Portugal tinha e tem para oferecer na posição de lateral direito. Pela sua garra, pela sua entrega ao jogo, capacidade de dar profundidade ao jogo ofensivo, e acima de tudo a sua experiência.
É efectivamente estranho o ostracismo a que foi vetado em Valência por parte de Nuno Espírito Santo, mais a mais quando o Valência até contratou por empréstimo o jovem e talentoso João Cancelo ao Benfica, que até não tem sido primeira opção.
Os adeptos não esqueceram J. Pereira e nos últimos jogos têm levado faixas com mensagens de apoio para o internacional português.
 
Talvez P. Bento continuasse a chamar J. Pereira mesmo sem jogar, tal como chamava Ricardo Costa mesmo estando ele a actuar no Dubai… F. Santos contudo deixou claro ( e bem, a meu ver) que as convocatórias da selecção não são um exercício de gratidão nem um grupo de amigos. Daí que Miguel Veloso ou Raul Meireles tenham também deixado de ser opções, porque pura e simplesmente neste momento têm uma série de médios em melhores condições à sua frente.
F. Santos não poderia assim, em nome da coerência, chamar J. Pereira por muito que achasse que é ainda o melhor lateral direito português, porque o facto é que não joga no seu clube.
Na primeira convocatória abriu as portas a Ivo Pinto, jogador desconhecido do grande público que tem feito a sua carreira nos últimos anos no futebol croata, e deu a titularidade incontestada a Cedric.

Não inventou. Efetivamente, deixou de lado a possibilidade André Almeida, porque considera desadequado estar a fazer adaptações na equipa nacional. André Almeida terá que se definir como jogador. É médio? Lateral direito? Lateral esquerdo? A polivalência pode ser um trunfo valioso para se fazer parte de um plantel e ser tido em conta pelo treinador. Contudo, a longo prazo, pode ser prejudicial na afirmação do jogador. Porque de tanto rodar de um lado para outro, acaba por jogar em várias posições mas não se destacar em nenhuma. Lembro-me sempre de casos de jogadores como Marco Caneira que de tão polivalentes acabaram por passar ao lado de uma carreira melhor se se tivessem especializado numa posição.
 
Cedric
 
Cedric tem várias limitações. A nível táctico sobretudo. Nada que  não possa ser trabalhado. Contudo Cedric como lateral é um jogador que muitas deficiência no capítulo táctico. Invariavelmente falha nas coberturas, ainda tem dificuldades em termos de posicionamento, e peca por excesso de voluntarismo que o tornam presa fácil no 1x1 com jogadores tecnicamente dotados e experientes.
No capítulo do passe sinto que tem tido francas melhorias, principalmente a cruzar. Ainda assim creio que curto para o que se exige de um lateral direito da selecção portuguesa. Contudo por vezes quando vejo Cedric jogar, recordo-me de um João Pereira mais jovem… Vejo a abnegação, vejo a entrega ao jogo, vejo o excesso de voluntarismo e vejo dificuldades em saber como se posicionar e em tomar as melhores decisões relativamente em quando deve dar profundidade ou quando se deve resguardar.
 
Cedric pode seguir a via do ex-lateral do Sporting. Nunca será um portento, mas pode tornar-se um jogador mais fiável. Mas seria isso ainda possível? Principalmente agora que já sente a concorrência do mais experiente Miguel Lopes?
F. Santos não se cansa de repetir que o objectivo é ganhar. Ganhar hoje. Não é esperar pelo futuro, porque o futuro faz-se é com vitórias no presente. Sem presente não há futuro que nos valha. Daí que entendeu ser necessário recorrer à experiência de Bosingwa. Não tenho acompanhado os jogos de Bosingwa, não sei em que condições se encontrará.  Sei que Bosingwa nos bons momentos da sua carreira era um lateral de eleição, só não foi mais porque psicologicamente não tinha as mesmas condições técnicas e físicas que exibia no campo.
Depois do feliz regresso de Ricardo Carvalho, espera-se que também a experiência de Bosingwa possa ser um contributo importante para a selecção.
 

 

 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Europeu sub-19: o futuro que não se esconde. ( parte 2)


Os destaques:

 

Tiago Sá

Guarda redes titular do campeão nacional de sub-19 SC Braga. Guarda redes de boa qualidade, com boa colocação entre os postes, não é muito espalhafatoso, mas eficaz.

Uma promessa para o futuro numa posição em que Portugal demonstra carências

Rebocho
 
Lateral direito do Benfica.  Uma espécie de sucessor de Maxi Pereira. Jogador que mede 1,60m, mas que é tremendamente agressivo. Forte fisicamente,  capaz de fazer o vaivém no seu flanco. É forte no desarme. Pode melhorar, ainda assim, o seu posicionamento.

É o 2º jogador mais internacional desta equipa.


Rafa
 
 Lateral esquerdo do F. C. Porto. É um dos melhores produtos da formação portista. Um lateral esquerdo que pode muito bem ser o futuro da selecção nacional A. Um craque.

Este ano já fez alguns jogos pela equipa B do Porto, jogando num escalão acima com uma maturidade incrível.

Tem nervos de aço. Um jogador que não parece ter apenas 19 anos, tamanha a naturalidade e tranquilidade com que joga.

Tem um pé esquerdo que faz maravilhas. Fortíssimo no apoio ao ataque, cruza com uma qualidade ímpar, cada cruzamento de Rafa pode-se dizer que é quase meio golo.

Para além disso é um exímio marcador de livres e cantos. Bate sempre colocado, mais em jeito que em força. Tecnicamente é dos jogadores mais completos da sua idade. Arriscamo-nos mesmo a dizer que deve ser um dos melhores laterais esquerdos do Mundo no seu escalão.

Obviamente que não é perfeito e ainda tem aspectos que pode melhorar. O principal será a agressividade no momento de recuperar a bola. Por vezes é demasiado macio nos duelos.  É um aspeto que tem vindo a melhorar, principalmente quando joga no escalão acima onde tem que ser mais testado defensivamente. Tenta compensar essa falta de agressividade defensiva, com uma boa leitura de jogo e capacidade de posicionamento.

Uma dos grandes craques da selecção. A ser acompanhado com muita atenção.

 

Tomás Podstawski
 
  O pêndulo da equipa. O grande capitão. Tacticamente é provavelmente o jogador mais maduro do grupo. Sabe-se posicionar  e ler muito bem os movimentos quer ofensivos quer defensivos da equipa.

Um 6 de classe que é um líder táctico dentro do campo. Ao longo da última temporada já pouco jogou no seu escalão, fazendo praticamente toda a temporada na equipa B do F. C. Porto.

 

Francisco Ramos
 
Médio Interior Natural da Póvoa do Varzim. Joga preferencialmente do lado direito do meio campo. É primo de Neto, jogador da selecção nacional A. Vemde uma família de futebolistas de uma região do país que dá vários jogadores às selecções.  Um jogador raçudo, com grande pulmão, que tanto pode transportar jogo, como ajuda no desarme e é capaz de conferir equilíbrio à equipa. Um 8 ao bom estilo de João Moutinho.

 

Rony Lopes
 
O craque desta geração. O jogador mais consagrado e que traz a experiência de treinar e competir com grandes craques no Manchester City.

Destacou-se no Benfica, o que lhe permitiu o salto para o City onde nunca parou de crescer como jogador, sendo mesmo um dos capitães da equipa de reservas do City.

Luso brasileiro, originou alguma polémica por se dizer que pode dar origem a uma disputa entre Brasil e Portugal. Para já brilha com as nossas cores, e convém que P. Bento não tarde muito em dar-lhe uma oportunidade de se mostrar na selecção principal.

Um jogador que joga numa posição em vias de extinção. O típico 10. Jogador com grande visão de jogo, qualidade técnica excepcional, capaz de sacar coelhos da cartola a qualquer altura do jogo. Tanto se destaca pela qualidade de passe, como pela finta, finalização e ainda é o responsável pelas bolas paradas. O jogo ofensivo passará pelos pés do criativo Rony.

 

Ivo Rodrigues
 
Extremo do F. C. Porto. Uma das grandes apostas do clube. Renovou recentemente o contrato, ficando com uma clausula de 20  milhões.

Um jogador repentista. Fortíssimo no 1x1, com uma finta curta que desconcerta os adversários, sendo ainda bastante veloz.  Um jogador irreverente que incendeia as defesas adversárias.

Faz lembrar P. Futre, salvo as devidas distâncias. Com Rafa, pode aproveitar o entendimento que trazem do F. C. Porto.

Pode e deve melhorar o momento da tomada de decisão. Por vezes perde-se em fintas, e não escolhe o melhor momento para soltar a bola.

 

Gelson Martins
 
Extremo do Sporting. De origem cabo Verdiana, é uma das pérolas de Academia de Alcochete.

Jogador muito forte no 1x1, de elevada capacidade técnica, capaz de furar defesas fechadas, através da sua capacidade de drible em espaços curtos. Um tecnicista da estirpe de craques como Nani.


André Silva
 
O 9. O goleador de serviço. Esta época militou entre a equipa B portista e os sub-19. Isso por vezes retirou-lhe alguma estabilidade. Principalmente porque enquanto na equipa B jogava como ponta de lança num 4x3x3 ou como um extremo a partir da direita para o meio, nos sub-19 fez vários jogos num 4x4x2.

Parece-nos que é um jogador que rende mais como 9 do que propriamente como falso extremo.

Um jogador robusto fisicamente, capaz de ir ao choque e de segurar a bola de costas voltadas para a baliza. É ainda forte no arranque com a bola controlada. Finalizador que se destaca igualmente por ser forte no jogo aéreo contando com vários golos obtidos dessa forma.

Pode fazer uma sociedade interessante com Ivo e Rafa que conhece bem do Porto. Principalmente com os cruzamentos de Rafa. É mesmo um dos movimentos típicos desta selecção, importado do F. C. Porto. Ivo faz movimento interior, surge Rafa no espaço para cruzar para a finalização oportuna de André Silva.

É importante que se mime bem este jogador, pois tem condições para ser o 9 de eleição que o futebol português tanto precisa. Não temos no nosso futebol um ponta de lança com estas características físicas e técnicas.

Pode melhorar  o momento da tomada de decisão. Por vezes tende a complicar em demasia a execução das jogadas. Margem de progressão é muito alta.


 Nuno Santos
 
Extremo do Benfica que teve passagem pela formação do F. C. Porto. Deve iniciar o europeu como suplente, mas será sempre uma das armas para Hélio lançar quando quiser mexer com o jogo. É um agitador. Uma autêntica carraça, sempre a disputar os lances com a máxima intensidade e capaz de aparecer bem quer a finalizar quer a assistir.
No jogo que garantiu a qualificação para o Europeu contra Bélgica, entrou na 2ª parte com a equipa em desvantagem e foi fundamental para inclinar o jogo para a área belga. Joga sempre em alta rotação.
 
João Palhinha
 


Seráum dos suplentes a entrar quando a equipa precisa de reforçar o meio campo. É um médio defensivo de enorme estampa física. O seu 1,90 tornam-no um elemento importante no momento de ganhar o meio campo. Pode também jogar a central, ou até baixar para junto da dupla de centrais libertando os laterais para poderem subir.
 

Pode melhorar a sua agressividade na disputa dos lances. Por vezes sente-se que não sabe fazer proveito da morfologia que tem.

 
Os ausentes:


 

 


A prova da qualidade desta geração é que, ao contrário de outras épocas, desta vez, alguns jogadores de grande qualidade não tiveram a oportunidade de sequer figurar na lista de convocados

Jogadores que poderiam noutros tempos e com outras ideias, serem inclusive titulares.

Falamos de atletas como: Romario Baldé, o avançado dos sub-19 do Benfica, vice campeão da Europa. Um avançado com grande mobilidade e capacidade física assinalável; Nelson Monte, defesa central que já tem contrato profissional com o Rio Ave, e que fez uma excelente época. Um central de boa estampa física, forte a ler o jogo e a posicionar-se e ainda com capacidade para sair a jogar; ou até mesmo Graça, o médio criativo do F. C. Porto, que poderia ser a alternativa a Rony Lopes. Felizmente para o criativo portista, a desilusão da ausência na convocatória final para o Europeu foi compensada com a chamada para o estágio da Holanda com a equipa principal do F. C. Porto.

 

Esta geração pode dar um golpe de autoridade neste Europeu, demonstrando que o futuro do futebol português está longe de ser sombrio quando se conta com uma geração de enorme talento e competência.

Por aqui poderá passar o futuro da selecção portuguesa. Uma geração que merece o apoio e a atenção de todos os portugueses. O primeiro jogo é já este sábado com a Hungria.

O futuro está cheio de vontade de provar que todos os vaticínios do seu fim, estavam errados.

 

A confirmar neste Europeu…

 

 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Europeu sub-19: O futuro que não se esconde. ( 1ª parte)

Europeu sub-19- O futuro que não se esconde.
 

Após a péssima campanha portuguesa no campeonato do Mundo, como é habitual, muitos experts, comentadores ou simples adeptos de futebol, vaticinaram a queda do futebol português.
Os argumentos são os mesmos do costume: a falta de qualidade ou a falta de soluções para o futuro da selecção nacional. As visões catastrofistas apontam até que Portugal não terá jogadores que possam assegurar que Portugal continue a ser presença assídua nas grandes competições. Afirmam que os clubes apostam cada vez mais em estrangeiros ( o que é verdade), e que não se trabalha a formação.
 
Aí está o ponto de discórdia. Posso dizer que a formação em Portugal está bem e recomenda-se.
 
 
 
 
Após um período mais negro do reinado de Scolari, em que se descurou claramente o futuro, de lá para cá, Portugal tem recuperado o fulgor. Fomos vice-campeões mundiais de sub-20, e asseguramos 2 participações seguidas no Mundial da mesma categoria.
Os sub-21 estão a fazer uma campanha imaculada de acesso ao Europeu, emergindo jovens valores que inclusive já batem à porta da selecção principal, casos de William Carvalho e Rafa.
As equipas B foram muito importantes por trazerem um espaço competitivo interessante para os jovens que saem da formação dos grandes clubes. Obviamente que há ainda arestas por limar, mas que não se duvide da qualidade do jogador português e do trabalho que vem sendo feito na formação.
O que nos leva para este Europeu de sub-19 e para esta geração.
 

Para aqueles que se preocupam com o futuro da selecção nacional, aconselho que observem esta geração. Chegam à fase final do Europeu após duas rondas de qualificação em que não só não conheceram o sabor da derrota, como inclusive contam por vitórias todos os jogos disputados.
Com 26 golos, é a selecção mais goleadora da fase de qualificação.
Pelo caminho, venceram ainda o Torneio Internacional em La Manga e o Torneio Internacional do Porto.
Esta geração desde que iniciou o seu percurso nos sub-19 nunca perdeu e chega ao Europeu como uma das grandes candidatas ao título.
Um Europeu em que grandes selecções como França, Espanha, Itália ou Inglaterra não se conseguiram sequer qualificar.
Portugal pode-se dizer que conseguiu um sorteio favorável ficando no grupo da selecção anfritiã a Hungria e tendo que enfrentar ainda Israel e Hungria.
As outras duas grandes candidatas serão a Sérvia, que defende o título, e a Alemanha que apresenta uma geração muito à forte, à semelhança da principal, provando o bom trabalho que tem vindo a ser feito pela federação alemã desde 2000.
Os alemães eliminaram uma das grandes candidatas, a Espanha, para chegar a este Europeu.
Contudo, alemães e sérvios estão no mesmo grupo e por isso uma dessas selecções ficará pelo caminho.
 
Mas debrucemo-nos sobre a nossa selecção. Quem são eles?
 

Esta geração já joga junta desde os sub-17, escalão onde ficou claramente aquém do que poderia conseguir em termos de resultados desportivos.
No entanto, o grupo foi-se formando e, hoje, apresentam um espírito de união e de conquista bastante fortes.
Uma selecção que tem uma base sólida de jogadores do F. C. Porto, que este ano já tiveram a oportunidade de integrar a equipa B e ter um espaço competitivo interessante, acima do seu escalão. Falamos de jogadores como Rafa, André Silva, Tomás Podstawski e Ivo Rodrigues. A eles acresce ainda o 5º elemento, Francisco Ramos, que foi um dos indiscutíveis da equipa de sub-19 do Porto.
 
A este núcleo, juntam-se 4 jogadores do Benfica, que conseguiram a proeza de se sagrarem vice campeões da Europa. Rebocho, João Nunes, Guzzo e Nuno Santos são os elementos dessa equipa chamados para este europeu.
O surpreendente campeão de juniores, o SC Braga, dá à selecção o guarda redes titular, a grande promessa Tiago Sá.
A estes elementos há que contar com a sempre forte formação do Sporting,q eu embora este ano sem grandes resultados, oferece à selecção 4 elementos. São eles: Mauro Riquicho, Domingos Duarte,  João Palhinha e Gelson Martins.

Esta geração tem também jogadores que já brilham noutros campeonatos. Do Manchester City chegam Jorge Intima e Rony Lopes. Rony Lopes é o rosto desta geração. Esta temporada estreou-se pela equipa principal do City, teve algum destaque e já foi emprestado ao Lille onde esta época terá a oportunidade de jogar as competições europeias.
Este grupo fecha com o defesa Jordan Machado, que vem do Montpellier, e a surpresa André Moreira. André Moreira  é guarda redes do modesto Ribeirão, mas jogou já na categoria de sénior durante toda a temporada no Campeonato Nacional de Seniores, o que lhe trouxe alguma estaleca para chegar preparado a esta competição.
 
A equipa.
 

Portugal desdobra-se no típico 4x3x3 da selecção nacional. Em alguns momentos do jogo, poderá tentar desviar para um 4x4x2, colocando Rony como segundo avançado.
A equipa tipo será: Tiago Sá, defesa: Rebocho, Jordan Machado, Domingos Duarte, Rafa; meio campo: Tomás Podstawsky, Francisco Ramos e Rony Lopes; ataque: Gelson Martins, Ivo Rodrigues,André Sila.

Durante a qualificação para o Europeu o seleccionador Hélio chegou a hesitar na posição 9. André Silva é o único ponta de lança de raiz convocado ,o que, em princípio, o coloca como titular indiscutível. Contudo, em alguns jogos Hélio experimentou jogar sem avançado fixo, colocando Ivo Rodrigues, extremo de raiz, como falso 9
 
Porém, essa é uma das dúvidas que parecem afastadas, uma vez que André Silva foi fundamental marcando 3 golos nos últimos dois jogos que valeram a qualificação para Portugal. Parece ser a melhor solução, até porque Ivo é um jogador de faixa, e com André Silva ganha-se maior presença na área adversária.
 

Outra das dúvidas prende-se com a colocação de Rony Lopes em campo. Rony é um 10 típico. Um criativo que gosta de jogar com alguma liberdade. Nesse sentido, é importante definir se ele joga no meio campo, assumidamente como médio ofensivo, ou se o seleccionador pretende dar maior cobertura defensiva, colocando Rony numa faixa, fazendo uma função semelhante à que fazia James Rodriguez no Porto, um 10 colocado numa faixa, procurando sempre o jogo interior.
Pela convocatória, Hélio deixa antever que Rony Lopes será mais opção para o meio campo. Isto depreende-se do facto de ter deixado de fora dos convocados, o  outro médio ofensivo que lhe poderia fazer sombra, neste caso o médio Graça que está ,inclusive, na pré temporada da equipa principal do Porto.
No meio campo espera-se que haja rotatividade entre Francisco Ramos do F. C. Porto e Raphael Guzzo do Benfica. Ambos são médios de transição que oferecem soluções semelhantes. Jogadores raçudos, com qualidade técnica, capacidade de transporte de jogo sem descurar o equilíbrio táctico da equipa.
 
Momentos do jogo
 
Organização defensiva: Este será um dos momentos que a selecção terá que melhorar com vista ao Europeu. Em momento de organização defensiva, nota-se que a equipa não está ainda muito rotinada. Principalmente quando tenta usar a arma do fora de jogo. O eixo central defensivo em certos momentos demonstra-se permeável.
 
Transição defensiva: No momento da perda da bola a selecção encontra o seu calcanhar de aquiles. A equipa gosta de jogar olhos nos olhos com todos os rivais, e gosta de dominar. Por vezes isso leva a que a equipa esteja mal posicionada no momento em que perde a bola. Acima de tudo, a equipa demonstra, por vezes, algumas desconcentrações que em jogos com adversários mais fortes podem pagar-se caro.
A equipa quando perde a bola, tenta sair logo na pressão ao portador da bola, mas nem sempre de forma organizada, sendo que é mais vulnerável quando exploram o espaço central, do que propriamente as zonas laterais onde Rebocho e Rafa costumam dar conta do recado.
Organização Ofensiva: A equipa gosta de dominar os adversários. Gosta de ter bola, mas não é propriamente uma equipa de posse. Gosta de fazer transições explorando os flancos onde tem jogadores de elevada capacidade técnica. O jogador que mais faz para que a equipa respire com bola e pense o jogo é o craque Rony Lopes, que assume o comando ofensivo da equipa.
A tendência contudo não é de fazer muitos passes, mas antes atacar a baliza adversária com grande agressividade ofensiva.
 
Os laterais tentam-se incorporar nos movimentos ofensivos, sendo Rafa um importante desiquilibrador desde o lado esquerdo, graças à sua enorme qualidade de passe, com cruzamentos que são quase sempre meio golo.
Quer Rony, quer o trinco Tomás, são elementos importantes para acalmar a equipa e fazê-la respirar um pouco.
Transição Ofensiva: O momento do jogo em que a equipa se sente mais confortável. Quando recupera a bola, a equipa gosta de se projectar o mais rápido possível no ataque. Rony tem a capacidade de lançar a bola para as diagonais de jogadores velozes como Ivo ou Gelson. Quando tal não é possível, tenta-se a ligação direta a André Silva para que ele possa segurar a bola, esperando que a equipa suba.